O terremoto de 7 graus na Escala Richter que atingiu o Haiti é mais uma tragédia que atingiu o pais mais pobre e conflagrado da América Latina. Com pouco mais de 22 milhões de habitantes, sendo 47% analfabetos e 8 em cada 10 abaixo da linha da pobreza, a nação sofre ainda com níveis altíssimos de corrupção e instituições que sequer nasceram ainda.
O mundo inteiro está se mobilizando para ajudar os haitianos. Alemãos, islan-deses e japoneses enviaram equipes especiali-zadas emresgate. Até mesmo um sonare de última geração chegou ao Haiti. Norte-americanos e ingleses ofereceram ajuda financeira e já se prontificaram para, junto dos brasileiros e canadenses, reconstruir o país. Os Estados Unidos também enviaram um porta-aviões adaptado como hospital. Até mesmo a tão criticada Cuba enviou 300 médicos.
Organizações Não-Governamentais dos mais diversos países se também se mobilizaram para ajudar o Haiti. A Cruz Vermelha Internacional abriu uma conta bancária para receber dinheiro. Do mundo todo chegam donativos de roupas, remédios, alimentos e água.
Há apenas dois anos, o mesmo Haiti sofreu com a passagem de dois furacões e duas tempestades tropicais que já haviam devastado a pouca inmfra-estrutura que havia no país.
Num momento como esse, acredito que todos devamos nos perguntar: porque precisa acontecer uma trajédia dessas para que o ser humano mostre o seu melhor?
O terremoto foi um incidente que, até o momento, matou 7 mil pessoas e devastou a capital Porto Príncipe. Mas o Haiti vem lutando contra a fome, miséria e pobreza há muitos anos. Neste exato momento, provavelmente alguma mulher está sendo estuprada em Darfur, no Sudão, bem como homens, velhos e crianças são torturados e mortos. Na Espanha, o povo basco luta há 40 anos por independência, bem como os tibetanos. E o Paquistão continua em pé de Guerra com a Índia por causa da Caxemira. Podemos também lembrar o genocídio nas Balcãs.
Porque é necessário que aja uma trajédia para que a comunidade internacional se mobilize e mande ajuda?
Um acontecimento desses gera repercussão interna-cional e, por mais que seja uma calamidade, consegue despertar no ser humano a caridade, o amor ao próximo e a capacidade de se colocar no lugar daquela pessoa que sofre.
So que realmente temos de nos perguntar porque isso não acontece sempre. A maioria dos conflitos, hoje, no mundo, cessariam se houvesse pressão internacional. Mas ninguém fala sobre Darfur, sobre a situação dos bósnios, albaneses, tibetanos. Da mesmo forma que, antes do terremoto, ninguém pouco se falava sobre a situação dos Haitianios.
Infelizmente, acho que só uma tragédia dessas poderá despertar o mundo para a situação dos mais de 20 conflitos que hoje acontecem no mundo.